O computador como ferramenta educacional vem sendo inserido gradativamente nas escolas públicas brasileiras. Ele pode e deve ser utilizado pedagogicamente, porém este uso deve ser expresso no Projeto Pedagógico das escolas, como forma de garantir o acesso dos alunos a essa ferramenta.
A democratização do acesso às tecnologias, em especial ao computador, vem crescendo e tornando necessária a preparação do professor para o uso desta ferramenta de ensino e aprendizagem de forma planejada e organizada, pois de nada adianta haver laboratórios se o profissional de educação não sabe como utilizá-lo. O computador é uma tecnologia que oferece grande leque de opções metodológicas, constitui-se um ótimo recurso pedagógico, mas para fazer bom uso dele o professor terá que se apropriar dos conhecimentos necessários. Assim, é necessário que ele domine as tecnologias, para poder interagir com seus alunos e não ficar na contra-mão do conhecimento e dos avanços tecnológicos.
Atrelado ao advindo da tecnologia nas escolas, porém, observa-se algumas incoerências administrativas que limitam o bom uso das mesmas. Embora haja várias escolas com laboratório montado, com acesso à internet, impressora, scanner, os mesmos são poucos, há problemas com a parte elétrica, que não é preparada corretamente, as salas são reutilizadas, portanto não atendem às necessidades de um laboratório, a internet (falando especificamente do Estado de Roraima) é via rádio e na maioria das vezes não funciona, as máquinas quando dão problema ficam dias e até meses paradas.
Estes são problemas estruturais, porém há os problemas de ordem pedagógica que implicam tanto quanto. Hoje que há uma nova forma de aquisição de informações e de conhecimento. Estamos na era da sociedade do conhecimento e da tecnologia e os professores ainda não despertaram para o verdadeiro sentido dos laboratórios de informática, que são para uso pedagógico e não para aprender digitação e informática. Muitos professores também deixam de utilizar o espaço e resistem às tecnologias, o que desfavorece diretamente os alunos. Valente (2002ª), afirma que
É irrealista pensar em primeiro ser um especialista em informática ou em mídia digital para depois tirar proveito desse conhecimento nas atividades pedagógicas. O melhor é quando os conhecimentos técnicos e pedagógicos crescem juntos, simultaneamente, um demandando novas idéias do outro.
Pensando nessa nova realidade, fica claro que não há mais como não nos envolvermos com as tecnologias e a utilizarmos para a dinamização do ensino e aprendizagem. Não há mais como tratarmos o conhecimento de forma compartimentalizada, dividido em áreas que não se integram e que são “repassados” ao aluno pelo professor, o “detentor dos saberes”. Há que se desenvolver habilidades e competências e para isso o trabalho por meio dos projetos é fundamental, pois motivará o aluno a pesquisar, indagar, encontrar respostas para suas inquietações, coletar e tratar informações, dentre outros.
A pedagogia de projetos, embora constitua um novo desafio para o professor, pode viabilizar ao aluno um modo de aprender baseado na integração entre conteúdos das várias áreas do conhecimento, bem como entre diversas mídias (computador, televisão, livros) disponíveis no contexto da escola. Por outro lado, esses novos desafios educacionais ainda não se encaixam na estrutura do sistema de ensino, que mantém uma organização funcional e operacional – como, por exemplo, horário de aula de 50 minutos e uma grade curricular seqüencial – que dificulta o desenvolvimento de projetos que envolvam ações interdisciplinares, que contemplem o uso de diferentes mídias disponíveis na realidade da escola e impliquem aprendizagens que extrapolam o tempo da aula e o espaço físico da sala de aula e da escola. (Prado, in: Tecnologia, Currículo e Projetos)
Como podemos perceber, existe toda uma mudança a ser realizada, porém esta vai se concretizando aos poucos. É necessário que o currículo seja revisto na escola, que haja comprometimento da equipe para que estas mudanças possam ser realizadas com sucesso. Magdalena (in: Tecnologia, Currículo e Projetos), afirma que
Podemos dizer que professores e alunos estão sendo soterrados por uma massa caudalosa de informações em contínua transformação, da qual retiram apenas porções esparsas e fragmentadas que constituem em suas mentes uma difusa miscelânea, incapaz de auxiliar nos momentos de confronto e de tomada de decisão. Uma das conseqüências graves, constantemente detectada, deste fato é a dificuldade de desenvolvimento, na medida em que a população não apresenta competências para compreender e propor alternativas de solução para problemas tanto de sua realidade local como da universal.
É de fato esta a realidade na qual vivemos e da qual necessitamos urgentemente nos libertar.
REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO
FREIRE e PRADO. Projeto pedagógico: pano de fundo para escolha de software educacional. O computador na sociedade do conhecimento VALENTE, J. A. (Org.). Campinas: Nied-unicamp, 1999. p.111-129.
TECNOLOGIA, CURRÍCULO E PROJETOS – Disponível no material do professor – Especialização em Tecnologias na Educação.
TECNOLOGIAS NA ESCOLA – Disponível no material do professor – Especialização em Tecnologias na Educação.

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